Wrestling do Sergipe capacita árbitros de olho nos Jogos da Juventude


Entre os dias 2 e 17 de setembro, Aracaju receberá os Jogos da Juventude, evento que reunirá cerca de 4 mil atletas de até 17 anos de idade em 16 modalidades. Em preparação para a competição, a Federação Sergipana de Lutas Olímpicas e Associadas (FSLOA) realizou um curso de arbitragem para capacitar seu quadro de juízes de wrestling. Com apoio da CBW (Confederação Brasileira de Wrestling), o workshop teve grande adesão e foi um sucesso.

O evento contou com a presença do presidente da Confederação Brasileira do Desporto Escolar, Antônio Hora Filho, apoio da Superintendente Especial de Esportes do Sergipe, Mariana Dantas e participação do presidente da CBW, Flávio Cabral. O presidente da FSLOA, Luciano Vieira, foi o responsável por organizar o curso, que foi ministrado pelo árbitro pernambucano Robson Bacelar. Ele se sentiu agraciado pela presença dos dois dirigentes e elogiou o processo de capacitação de árbitros feito pela CBW em diversas regiões do país.

“A CBW está fomentando a modalidade qualificando nossos árbitros. Isso é muito importante. Não adianta nós investirmos apenas em árbitros mais antigos se tivermos uma base fraca. O que eu sempre penso e prezo é pela base da pirâmide. Não se constrói uma casa pelo teto, você tem que ter uma base forte e sólida para que quando vierem as tempestades, ela não seja destruída”, disse Luciano Vieira.

Este foi o segundo ano consecutivo que a federação sergipana realizou um curso de arbitragem com o apoio da CBW. Antes, o estado tinha apenas seis árbitros oficiais e agora passará a ter 20. O otimismo com os cursos é tamanho que o presidente da FSLOA está em busca de mais parcerias para realizar outros workshops para além dos de arbitragem.

“Estamos fechando outras parcerias, até com a própria CBW, para realizar cursos de treinadores. Acho que isso é o mais importante. Se nós tivermos uma base forte de treinadores, com certeza a modalidade se desenvolve”, explicou Luciano, que é um dos poucos professores de wrestling capacitados no Sergipe. Ele, por muito tempo, atuou sozinho na liderança da modalidade no estado, já que não haviam outros treinadores, mas a situação está começando a mudar nos últimos anos, já que ex-atletas estão buscando se especializar na área.

O Wrestling no Sergipe

Existem cinco locais que são próprios para a prática de wrestling no Sergipe, que vão desde projetos sociais até a academia própria de Luciano. Recentemente, a federação fechou uma parceria com o Cenam (Centro de Atendimento ao Menor) para também disponibilizar aulas a jovens detidos. O polo dos treinos é Aracaju, mas este projeto com o Cenam terá como foco a cidade de Socorro, na região metropolitana da capital.

O processo de expansão da modalidade para o interior é uma das grandes metas da gestão de Luciano. “O objetivo maior é colocar o wrestling no Sergipe todo. Não adianta apenas a capital porque temos muitos atletas no interior que faltam oportunidades de se desenvolver e conhecer a modalidade”, contou ele. “As pessoas não conhecem ainda o wrestling como deveriam conhecer. Agora que está começando, com essa gestão da CBW, a crescer e desenvolver a modalidade em todos os estados”.

Luciano Vieira conheceu a luta através do judô e migrou para o wrestling depois que acompanhou seu filho na modalidade nos Jogos Escolares de 2009, que aconteceram em Belém do Pará. Assim que retornou ao Sergipe, recebeu o convite para assumir a presidência da federação, que havia sido fundada há pouco tempo. Luciano resistiu, pois já era presidente da federação sergipana de jiu-jitsu, mas acabou aceitando.

Seu filho, Yuri Vinicius, seguiu no caminho do wrestling e conquistou importantes títulos em sua carreira. Graduando em Educação Física, ele é campeão brasileiro universitário de wrestling e bicampeão brasileiro universitário de beach wrestling. Luciano, por sua vez, seguiu no comando da federação, onde permanece até hoje. Ele trabalha principalmente com atletas de base, com foco no escolar.

Assim como em outros estados brasileiros, a base do wrestling no Sergipe adveio de outras modalidades, como o judô e o jiu-jitsu. Assim, sempre acabavam se dividindo entre as lutas. No entanto, este cenário tem começado a se inverter nos últimos anos e atletas com o “puro sangue do wrestling” estão começando a ser formados. 

“Não podemos negar o fato de que a maioria dos atletas foram oriundos de outras modalidades, mas creio que daqui a seis ou sete anos, nos próximos ciclos olímpicos, já vamos ter atletas que só tiveram a experiência do wrestling”, disse ele.

Muito ligado ao desporto escolar, o presidente esteve presente, inclusive, na campanha histórica do Brasil no Mundial Escolar (Gymnasiade) deste ano, em Normandia, na França. O Wrestling brasileiro faturou dois ouros – os primeiros de sua história na competição -, uma prata e um bronze, totalizando quatro medalhas. 

De olho na seleção

Luciano Vieira sonha alto e quer ter um atleta sergipano na seleção brasileira adulta. Mateus Freire é o principal nome do wrestling no estado. Vice-campeão pan-americano sub-17 no ano passado, ele terminou na liderança do ranking brasileiro da categoria. Versátil, ele compete tanto no estilo livre quanto no greco-romano. 

O presidente o define como a referência da modalidade no estado e o projeta para a Olimpíada de Los Angeles 2028. “O sonho deles é o meu sonho. Estamos correndo juntos e eu creio que Sergipe, no futuro próximo, vai ter um atleta representando o país numa Olimpíada e em um Mundial. Este é o nosso trabalho. Não é fácil, a caminhada é longa, mas as primeiras pedras já começamos a cultivar. E é através delas que vamos trilhar a nossa estrada e colocar o Sergipe e o Brasil onde ele merece”.

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