Álbum dos Jogos Sul-Americanos 2022: Kenedy Pedrosa

O Wrestling brasileiro compete de 12 a 14 de outubro os Jogos Sul-Americanos, em Assunção, capital do Paraguai. Vamos conhecer um pouco mais de Kenedy Pedrosa, mais uma figurinha que compõe o “Álbum dos Jogos Sul-Americanos 2022”. Kenedy Pedrosa, 28 anos, amazonense da categoria 67kg do estilo greco-romano 67kg e que luta no torneio paraguaio dia 12 de outubro.

O Wrestling é dividido em dois estilos: livre (masculino e feminino) e greco-romano (apenas masculino). O Amazonas é celeiro de atletas do estilo livre. Kenedy é a exceção que confirma a regra. Depois de iniciar no estilo onde é permitido utilizar pernas para atacar e defender, migrou para estilo greco-romano e trocou Manaus pelo Rio de Janeiro.

“Em Manaus, não temos o estilo greco-romano e comecei a treinar o estilo apenas com um boneco de lutas e sozinho. O coordenador na época, hoje presidente, Flavio Cabral Neves, me convidou para treinar no Rio, migrar para o estilo greco-romano e mesmo com idade de júnior fui convidado a treinar com os atletas da equipe principal”, explicou Kenedy, que passou a morar no CEFAN, como recruta.  

No início, Kenedy sofreu nos treinamentos contra os atletas mais experientes da categoria sênior (adulta). Mas a rotina dura de treinos o motivou ainda mais. Em 2015, seu primeiro exclusivo na categoria sênior, Kenedy se tornou campeão brasileiro em 2015 e titular da equipe por um breve período. Ingressou na Marinha do Brasil, onde passou por três meses em curso militar que o tiraram da primeira seletiva olímpica para os Jogos Rio 2016. Em seguida, Joilson Júnior, ainda da categoria assumiu a titularidade da equipe principal na categoria 67kg.

“Sempre tive grandes adversários desde a categoria júnior. Em 2016, ano pré-olímpico quando saí da seleção fiquei desmotivado, mas lembrei que tenho uma mãe, pai e um filho e que através do esporte conseguiria dar uma vida melhor para eles. Isso me deixou sempre de cabeça erguida e fez com quem lutasse contra todos dentro e fora do Brasil com a mesma vontade”, explicou Kenedy.

A força de Kenedy vem do DNA. Em 2019, a mãe do atleta Neumice enfrentou um câncer no útero. Mesmo com a descoberta da doença em estágio inicial, Kenedy acompanhou diariamente todo o processo de tratamento que incluiu radioterapia e quimioterapia. Entre trocas de mensagens e telefonemas, o apoio psicológico e o carinho do filho ajudaram a amazonense de 55 anos ficar curada.

“Acho que foi a época em que minha mãe mais precisou de mim. Ela descobriu o câncer e muitas pessoas chegam e falam coisas que deixam a pessoa abatida. Na época foi mais um trabalho psicológico, ela ficou bastante abalada e nos falávamos diariamente. Mesmo com a doença ela não deixou de trabalhar como empregada doméstica. Ela retirou o útero, fez o tratamento e graças a Deus está curada. Ela é meu grande exemplo de vida”, recordou Kenedy.

Depois da pausa provocada pela pandemia, o lutador retornou aos tapetes em 2021 na categoria 72kg, não olímpica. Em 2022, Keendy regressou à categoria 67kg, divisão presente no cronograma olímpico. O lutador foi campeão brasileiro e conquistou a medalha de prata no Pan-Americano 2022. Para garantir vaga nos Jogos Sul-Americanos, o grequista precisava vencer a Copa Brasil, mas perdeu o torneio e teve que lutar a seletiva no mesmo dia por um lugar na equipe nacional. O adversário era o companheiro de treino Calebe Correa, em desvantagem de 0 a 1. O amazonense venceu os dois combates, fez 2 a 1, manteve a titularidade e garantiu um lugar na equipe nacional.

“Esse ano foi ano que mais viajei para competir, tive mais experiências esportivas, convivi com outros atletas. Cito Giullia Penalber e Laís Nunes, que são grandes atletas dentro e fora dos tapetes. Uma coisa que Laís sempre fala é: ganha quem quer mais. Quando perdi a final para o Calebe fiquei triste e pensei em todo investimento e planejamento que tinha feito até ali, Entre a final e a seletiva pensei, quero mais do que tudo essa vitória. Quando vencei, nem deu tempo para comemorar pois já entramos em preparação para o Mundial. Foi incrível”, contou Kenedy,

Dos companheiros de treino diário que vão para os Jogos Sul-Americanos, Kenedy terá a companhia de Erivan Rocha, Joilson Júnior, Igor Queiroz. A única tristeza é não poder ter Calebe Corrêa na equipe, cada país só pode ter um atleta em cada categoria de peso.

“Aprendi com a antiga geração do estilo greco-romano que o grupo precisa de alguém para manter a equipe unida. Sempre fazemos churrasco, passeamos juntos. Fico feliz com as vitórias de Igor, Joílson, Erivan. Minha maior tristeza é lutar contra o Calebe na mesma categoria de peso, que é uma pessoa que amo muito e que me ensina muitas coisas. Busquei assumir esse papel de motivar os companheiros de treino e motivar a equipe nos treinamentos”, revelou Kenedy.

Depois da campanha vitoriosa no Pan-Americano, onde foi parado apenas na final, Kenedy sente que está no mesmo nível de seus oponentes. O lutador viaja para Assunção como candidato ao pódio e ao título. Mesmo sendo a primeira experiência nos Jogos Sul-Americanos e a primeira Missão do Time Brasil, o lutador se sente pronto para disputar a competição mais importante do ano.

“Sempre ouvi história de que era muito difícil participar de Jogos, mas depois de luta o Pan-Americano vi que é possível vencer qualquer um. As técnicas são as mesmas que treinamos então vai ganhar quem quiser mais. Conheço todos os adversários e só não enfrentei o lutador da Venezuela, mas o acompanhei nos Jogos Bolivarianos.  Estou confiante e tenho certeza que posso ser campeão. Esse ano é o melhor ano fisicamente e o professor Angel vem cobrando bastante nos treinamentos e isso é legal. Esse ano foi o que ficamos mais próximos e isso tem ajudado muito. Estou muito confiante”, encerrou Kenedy Pedrosa.

Kenedy Pedrosa compete nos Jogos Sul-Americanos na categoria 77kg do estilo greco-romano  dia 12 de outubro.

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